A árvore Frutífera do Miguel

novembro 25th, 2013

Sempre morei em casa térrea e certa ocasião, Miguel, meu vizinho de muro, trouxe para sua casa uma muda de árvore frutífera. Ela estava com suas raízes envoltas numa touceira de terra, num saco de estopa. Lembro que ao chegar todo entusiasmado chamou sua mãe, Dona Madalena, para ver sua aquisição e comentou em voz alta: “O jardineiro me orientou de fazer uma cova de um metro de profundidade e um metro de diâmetro na largura”.

A partir deste dia, iniciou-se uma maratona de atividades e cuidados com sua árvore frutífera e todo final de semana Miguel tinha alguma tarefa para fazer com ela. Como Dona Madalena tinha deficiência auditiva, tudo que ele fazia, falava em voz alta para sua mãe ouvir, pois ela passava boa parte do tempo na cozinha, preparando as refeições da família enquanto ele trabalhava no quintal.

Ele gritava: “Mãe eu vou por calcário e adubo orgânico na cova”, ”Mãe em vou regar a árvore.”, “Mãe eu vou podar e depois passar um produto para pulgões”, “Mãe eu vou afofar a terra e por um pouco de húmus de minhoca”. Era sempre assim, tudo que ele fazia, irradiava como se fosse um comentarista esportivo, narrando uma partida. Nós lá em casa sabíamos de todos seus cuidados com a árvore.

Ela foi crescendo e realmente ficou muito bonita e frondosa. Após cinco anos, certa manhã, ouvi um barulho intermitente de madeira batendo em madeira e a voz do Miguel se sobressaia gritando: “Maldita árvore!”, “Maldita árvore!”, inúmeras vezes. Percebendo a situação crítica subi numa cadeira ao lado do muro e o vi segurando um caibro de madeira batendo com ele, fortemente no tronco da árvore gritando: “Maldita árvore!”.

Perguntei: “O que está acontecendo?”. Ele, revoltado disse que há muitos anos cuidava desta árvore com muito empenho e carinho. Eu confirmei e disse tudo o que ele fazia, pois sempre contava em voz alta para a sua mãe.

Ele revoltado comenta: “Então, sabe qual é a fruta que eu mais gosto”? Perguntei qual era e ele respondeu: “Manga! pois eu nunca comi uma manga dessa maldita árvore”! Eu retruquei: “Mas Miguel este é um pé de goiaba, esta é uma goiabeira”!

A verdade é que todos nós agimos iguais ao Miguel. Sempre reclamamos das pessoas por que são diferentes de como nós queríamos que elas fossem, por darem um fruto diferente do que elas sabem dar.

Será que você já reclamou dizendo: “Minha mãe nunca foi carinhosa!”; “Meu pai nunca me incentivou em nada nessa vida!”; “Meu marido nunca me elogiou!”; “Minha esposa nunca foi minha amiga!”; “O meu irmão é completamente irresponsável para ajudar a cuidar dos nossos pais!”; “Meus patrões só pensam em dinheiro e dão pouco valor a minha dedicação ao trabalho”; “Minha colega é egoísta e tudo o que sabe do trabalho ela guarda para si, ela tem medo que eu queira roubar seu lugar!”.

Queremos que os outros nos deem os frutos que a gente mais gosta. Exigimos carinho, incentivo, elogio, responsabilidade, compreensão, reconhecimento do nosso valor, altruísmo, confiança em nós, amizade, quando na realidade quem tem de fazer isso em nossas vidas somos nós mesmos. Sim, nós podemos desenvolver essas árvores no nosso pomar da vida! Agindo assim teremos sempre fartas colheitas e podem acreditar: “Vão sobrar muitas frutas excelentes para saborear e depois dividir com as pessoas”. Talvez seja esse um dos maiores prazeres da vida, se nutrir e depois dividir a colheita. Isso é amor incondicional! Isso é tudo de bom!

Cid Paroni Filho
Instituto do Amor

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